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Cinema Latino

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Entrevista com a filha de Leila Diniz

A entrevista não é recente, achei recentemente em um site, aliás muito curiosa por sinal:

A filha de Leila

Para Janaína Diniz Guerra, sua geração deveria lutar contra a idealização dos papéis femininos.

Janaína está se formando em cinema, uma arte que ela conheceu em casa, desde pequena. Já trabalhou como atriz, dirigiu filmes e escreveu roteiros para projetos audiovisuais. Filha de pais cujos nomes são verbetes na Wikipedia - o diretor de cinema Ruy Guerra e a atriz Leila Diniz - , a carioca conversou com o Guia da Nova Mulher por telefone, desde sua casa no Rio. Entre as aulas, trabalhos de conclusão de curso, reuniões para discutir roteiros, Janaína, 36 anos, conta que namora há dois e ainda não teve os filhos que pretende ter. Ela faz muita coisa ao mesmo tempo, mas gosta de falar sem pressa - mesmo na entrevista realizada à meia-noite, na brecha que ela encontrou na agenda. A filha do ícone da revolução de costumes dos anos 1960 se define como uma pessoa simples e pouco consumista, diz ter uma boa relação com seu corpo e espera que sua geração liberte as mulheres da obsessão em ter um corpo perfeito. Leia a seguir trechos da entrevista:

Guia da Nova Mulher -
Como é ser filha de um símbolo da revolução feminina? Cobram de você atitudes inovadoras?

Janaína Diniz Guerra - Não acho que cobrem. É gratificante, porque geralmente as pessoas são muito carinhosas comigo, de forma gratuita. É uma herança que recebo da minha mãe, tem gente que não conheço de cada canto do país e que me trata como me conhecesse desde sempre. É muito mais esse carinho do que cobrança.

Guia - O que você sabe da sua mãe além da mítica em torno do nome dela?

Janaína - Sinto como se lembrasse, mas, quando ela morreu, eu não tinha nem um ano. Mas acredito que, quando você precisa, sua memória vai além do normal. Vai além do que as pessoas acreditam que possa ir. Minha mãe é muito presente para mim, na minha memória. Sinto como se a conhecesse muito profundamente. Mas não é através do que as pessoas me devolvem dela, é uma coisa direta mesmo. Não sei explicar. Nunca li muito sobre ela, nunca vi muitos filmes, pelo contrário: fujo um pouco disso. Falar dela é muito tranqüilo, ótimo, sem problema nenhum. Agora ver, ouvir, ler o que escreveram sobre ela, o que ela escreveu... Aí sinto mais o vazio da ausência, o vazio da falta que ela me faz.

Guia -
Sua mãe sacudiu o senso comum aparecendo de biquíni, grávida, na praia. Mas ela apenas teria perguntado ao médico se o sol faria bem ao bebê e, como ele disse que sim, ela foi à praia. Na tua opinião, que pequenas ações do cotidiano das mulheres de hoje podem ter esse perfil transformador para as gerações seguintes?

Janaína - Acho que tudo na minha mãe era assim, que ela, em nenhum momento, tinha consciência do que estava fazendo, não era movida por uma necessidade de mudar nada. Tudo nela era autêntico, fazia o que achava que devia fazer. Tenho a impressão de que o que falta, muitas vezes, nas pessoas, é essa coragem de ser autêntico. As ações que podem transformar são aquelas em que se acredita. Quando as pessoas conseguem seguir mais o que elas têm como princípio ou como desejo, quando conseguem ter essa coragem, aí vão um passo além.

Guia -
Qual o passo adiante a ser dado pela tua geração?

Janaína - A paternidade mais assumida. Até que não é um passo feminino, é masculino. Vejo vários dos meus amigos assumindo funções domésticas e como pais. Não só a de educar, mas aquilo que sempre foi da mulher, a função de trocar fralda, dar banho, botar para dormir... É uma conquista das mulheres e uma grande conquista dos homens. Uma coisa ainda muito atrasada é a questão social em que o homem conquistador é bem visto, e a mulher é vista como puta. Às vezes, o preconceito até vem da parte da mulher: vejo muito mais mulheres falarem, por exemplo: "Mulher dirigindo é um horror". O que a nossa geração deveria deixar como legado? Na minha opinião, libertar a mulher do compromisso com uma imagem padronizada do que ela deve ser. Deixar para a próxima geração a liberdade que hoje a sociedade não nos permite, que é a de não ter um corpo perfeito. Não que as pessoas não precisem ser bonitas, mas que cada um escolha o que é ser bonito. Vai haver uma grande liberdade feminina quando isso acontecer. Espero que aconteça.

Guia - O que deseja para seu futuro?

Janaína - Mais que tudo, tenho desejos pessoais. Desejo ser uma boa amiga dos meus amigos, uma boa companheira do meu companheiro, uma boa filha do meu pai, uma boa mãe dos meus filhos quando eu os tiver.

Guia -
Quem hoje poderia servir de modelo para as novas gerações?

Janaína - Um dos meus modelos, Betinho (o sociólogo Herbert de Souza) já morreu. Uma época quiseram fazer um prêmio Leila Diniz para oferecer às mulheres que se destacaram. Falei que eu premiaria o Betinho. É muito difícil pensar em alguém vivo que sirva como modelo. Modelos familiares, tenho vários: as minhas tias por parte de mãe, meu pai, claro, que foi minha mãe, a Neni, minha mãe preta, que ficava comigo quando ele estava trabalhando, meu avô materno. A Marieta (Severo, atriz) é muito presente na minha vida, grande amiga da minha mãe e um modelo para mim.
Fonte: Zero Hora

12 comentários:

  1. Adorei a entrevista.
    Nunca tinha visto nada de Janaina, gstei muito mesmo!!!!

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  2. Muito simpática, inteligente, conversa séria, a mãe dela, onde estiver, deve de estar muito orgulhosa!!!

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  3. Janaina, eu sou da geração da sua mãe, embora vc tenha convivido pouco com ela, tem qualidades semelhantes, bela por dentro e por fora, será genético?rsrsrs, Maria José, mj_azevedo@hotmail.com

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  4. Que mulher inteligente! Adorei o que ela disse sobre a necessidade de se deixar de lado a imagem estereotipada da mulher!

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  5. Puxa...ela é um doce...inteligente, lúcida, simples...filha de Leila Diniz mesmo...mas o destino quis que fosse criada sem a mãe, que a amava e morreu pq queria tanto voltar da viagem por saudade dela...mas essa moça é tão iluminada que posso imaginar que parte de sua luz venha da Leila,. Onde quer que ela estaja está muito perto da filha.

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  6. Sou grande fã da mãe dela. Assisti à ANASTÁCIA, A MULHER SEM DESTINO e lembro de detalhes. Quando Leila Diniz morreu Janaína tinha 09 meses, se não me engano. Fico feliz de vê-la e sabê-la assim, diante da vida. Sim, sua mãe está orgulhosa de você!

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  7. Muito inteligente!mas não tão doce quanto a mãe tem natureza diferentes, não e uma natureza fácil a mãe fez faltá mesmo!!!

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  8. Quis saber sobre ela e gostei de como me pareceu ser.Sentimos muito,eu e minha mãe, a morte de Leila, mesmo sendo eu muito jovem naquele tempo. Falávamos de como ela amava a filha, e quem estaria com a pequena.Sabendo que Marieta e Chico o fariam,ficamos felizes.Cuidariam bem dela.

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  9. Quis saber sobre ela e gostei de como me pareceu ser.Sentimos muito,eu e minha mãe, a morte de Leila, mesmo sendo eu muito jovem naquele tempo. Falávamos de como ela amava a filha, e quem estaria com a pequena.Sabendo que Marieta e Chico o fariam,ficamos felizes.Cuidariam bem dela.

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  10. Eu gostava muito da Lei lá Dinis, adorei à filha maravilhosa como à mãe, nunca esqueci.Ela foi meu ídolo.Beijos nossa menina Janaina.

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