Mês passado o site Ego da Globo.com publicou no dia 22 uma entrevista com a atriz Aldine Müller, ela que foi uma das grandes musas da Pornochanchada e atualmente tem sua propia companhia de Teatro, Aldine dá depoimentos francos sobre sua carreira.
Por onde
anda Aldine Müller, uma das musas da pornochanchada?
'Digeri todos os sapos
que engoli, não me arrependo de nada nem tenho vergonha do que fiz', diz a
atriz, que hoje tem sua companhia de teatro.
Quando foi convidada para seu primeiro papel de destaque no
cinema, Aldine Müller, então com 24 anos, achou que ia encontrar o glamour de
Hollywood. Figurante da TV Tupi, recém-chegada do Sul, Aldine levou um choque
ao se deparar com a Boca do Lixo paulistana, onde atrizes e prostitutas se
confundiam nas ruas. Mas decidiu seguir em frente e se entregou de corpo – belo
corpo, aliás – e alma ao cinema, em especial às pornochanchadas, não à toa
transformando-se em uma das musas do gênero.
O filme era “Clube dos Infiéis” (1974), também o primeiro da
carreira de Cláudio Cunha. Logo ela ficou sabendo que haveria nudez. “Tinha uma
cena de sexo na estrada, e Cláudio disse que eu iria precisar tirar a roupa.
Não pensei duas vezes e fui tirando, aí ele disse: calma, é só na hora da
cena’”, lembra Aldine, que nunca teve problemas em mostrar o corpo. “Fiquei
conhecida como a atriz que tirava a roupa e não chorava (risos). Queria mais
era pegar meu dinheiro e ir embora.” Na época, Aldine tinha um namorado e não
contou para ele que o filme era, digamos, picante. “Ele só descobriu dentro do
cinema, no dia da estreia, e ficou passado. O namoro acabou ali. Minha carreira
sempre foi mais importante. Já quiseram me levar para
O que mais abalou Aldine em seu início de carreira foi mesmo
a reação da família. “Sou filha de italianos, com mãe beata. Meu pai ficou um
tempão sem falar comigo”, diz a atriz, que casou e engravidou aos 16 anos para
poder sair de casa. “Eu tinha um projeto de ser atriz desde menina”. O plano
deu errado. Aldine perdeu a guarda do filho, César, quando decidiu tentar a
vida em São Paulo. “Dos nove meses aos sete anos ele ficou com a família do
pai. Só me devolveram a criança quando meu marido morreu”, lembra a atriz, que
mais tarde sofreu com o envolvimento do filho com drogas na juventude, problema
há muito superado. Hoje, César está com 40 anos, é publicitário e tem três
filhos, xodós de Aldine. A relação com o pai também se acertou. “Ficamos
grandes amigos, e passei as últimas três horas de vida dele ao seu lado.
Ajudei-o a descansar”, diz, emocionada.
“Comecei a me
sentir um pedaço de carne no açougue. Os homens me comiam com os olhos"
O sucesso como musa da pornochanchada – são mais de 20
filmes no currículo – foi uma faca de dois gumes para a atriz que “tirava a
roupa e não chorava”. Se por um lado, levantou a bandeira da liberação da
mulher – “Longe de me considerar uma Leila Diniz, mas sei que quebrei
barreiras”-, por outro colocou-a na posição de mulher-objeto. “Comecei a me
sentir um pedaço de carne no açougue. Os homens me comiam com os olhos, então
passei a me vestir como freira. Se alguém vinha falar comigo, eu dizia que não
era a Aldine.”
Em crise, Aldine começou a fazer terapia e deu um tempo nos
filmes “pornô água com açúcar”, como ela mesma chama. Dedicou-se ao teatro e à
TV, tendo feito novelas como “Sassaricando”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da
Sucata” e o remake de “Escrava Isaura”, e humorísticos como "Escolinha do
Professor Raimundo".
Atualmente, com 57 anos e 32 de carreira, Aldine diz não ter
saudade da juventude. “Tenho o mesmo peso que tinha aos 20 e nenhuma celulite”,
orgulha-se a atriz, que faz academia, ioga, alongamento e é contra tratamentos
de beleza que alteram a fisionomia, como botox e plástica. “Gosto de me olhar
no espelho e me reconhecer. As mulheres estão se deformando, o legal é fazer
algo que não dê bandeira”, conta Aldine, casada há dez anos com o publicitário
Rogério Kihara. “Mas vivemos em casas separadas. Nem a empregada é a mesma, não
dá certo.” A carreira também vai muito bem: Aldine está em cartaz com a peça
"Virgem de 40 anos.com", em São Paulo. No Rio de Janeiro, os fãs
podem matar as saudades dela e de outras musas com a mostra "20X
Pornochanchada", na Caixa Cultural, que termina neste domingo, 22 de maio,
com exibição de filmes da época e exposição de cartazes. A vantagem da
maturidade, para Aldine, é não engolir mais sapos, como acontecia antigamente.
“Tenho minha própria companhia de teatro. Faço os personagens que quero. Digeri
todos os sapos que engoli, não me arrependo de nada nem tenho vergonha do que
fiz.”
Fonte: Ego Globo
Muita digna a Aldine Müller em não se arrepender de ter feito pornochanchadas. A maioria das atrizes que fez, hoje em dia se arrepende, o que é uma hipocrisia, já que se não fossem aqueles filmes elas nem teriam se tornado famosas. Abraços!
ResponderExcluirO Canal Brasil está passando um série de pequenos programas com as musas das pornochanchadas falando sobre a carreira e a vida atual.
ResponderExcluirAinda não vi se Aldine Muller deu seu depoimento no programa.
Até mais