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domingo, 31 de março de 2013

"É muito libertador fazer comédia", diz Pedro Almodóvar sobre novo filme



"É muito libertador fazer uma comédia", afirmou Pedro Almodóvar na estreia espanhola de Los Amantes Pasajeros, fábula repleta de diálogos cintilantes, momentos surrealistas e um elenco recheado de estrelas, dirigida e com roteiro assinado pelo premiado cineasta. Lola Dueñas, Pepa Charro, Blanca Suárez, Miguel Ángel Silvestre e Hugo Silva conversaram com o Terra durante a maratona para promover o longa, que estreia em setembro no Brasil.
Além do elenco-base, Javier Cámara, Carlos Areces, Raúl Arévalo, Cecilia Roth (Tudo sobre Minha Mãe) e Antonio de la Torre são outros dos passageiros que fazem parte desta ampla produção, ainda contando com Antonio Banderas, Paz Vega e Penelope Cruz em pequenas participações. 
Para a produção, Almodóvar colocou em um avião com destino à Cidade do México um grupo heterogêneo de personagens que de repente se vê em perigo iminente. A situação faz os envolvidos caminharem entre a comédia e as catarses emocionais. 
Javier Cámara, Antonio de la Torre, Lola Dueñas e Hugo Silva em cena de 'Los Amantes Pasajeros'
Nas palavras do responsável pelo longa, o que é mostrado em cenas a 10 mil metros de altura tem um reflexo direto naquilo que se vive atualmente na Espanha.
"Há uma classe turista que fica dormindo porque a fizeram dormir para que não reajam. Há um abuso de poder nessa ação e os pilotos são os responsáveis. E o lema que dão à classe executiva é que aqueles da classe turista não lhes digam nada e saiam pela tangente, que é algo que sabemos muito bem, de dar as costas para o outro e não falar com ele."
Almodóvar ainda destaca o quão libertador foi fazer uma comédia, sensação que compartilha com todo o elenco, que vê o bom ambiente compartilhado durante as filmagens refletido no resultado final da produção. Segundo a atriz Lola Dueñas, intérprete de uma mulher com capacidades sensitivas, o diretor foi muito generoso ao oferecer ao público a oportunidade de fugir um pouco da difícil realidade atual.
Ainda que a leveza irreverente e a diversão de Los Amantes Pasajeros demonstre uma pausa nas já renomadas produções obscuras do diretor, como Abraços Partidos e A Pele que Habito, Almodóvar afirma que manterá seu foco a roteiros mais profundos, colocando seu próximo trabalho retornando ao drama, deixando de lado a comédia do novo longa.
Assim, o importante é aproveitar essa incitação ao "caos saudável", como classifica a atriz Pepa Charro, e deixar que esses "amáveis passageiros" nos ajudem a esquecer um pouco os nossos problemas. Nem que seja durante os 90 minutos nos quais se desenrola a produção.

Fonte: Jornal do Brasil

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Prêmios de Alberto Iglesias




Reconhecimentos e Prêmios de Alberto Iglesias:

Premio Goya en 2012 a melhor Trilha Sonora Original pelo filme “La Piel Que Habito” de Pedro Almodóvar.
Indicação em 2012 ao Oscar de Hollywood para melhor trilha sonora por "Tinker Tailor Soldier Spy" de Tomas Alfredson.
Indicação em 2012 ao BAFTA (British Academy of Films and Television Arts) a melhor trilha sonora por
"Tinker Tailor Soldier Spy" de Tomas Alfredson.
Indicação em 2011 por The London Film Critic´s Circle e aos European Film Awards 2011 pelo filme “La Piel Que Habito” de Pedro Almodóvar.
Hollywood Film Composer Award no Hollywood Film Festival 2011 por "La Piel Que Habito" e "Tinker, Tailor, Soldier, Spy"
Prêmio Goya em 2011 a melhor Trilha Sonora Original pelo filme “También La Lluvia” de Icíar Bollaín.
Prêmio de Cinema de Bremen em 2011; prêmio por sua carreira e por sua integração ao cinema europeu.
Prêmio Goya em 2010 a Melhor Trilha Sonora Original pelo filme “Los Abrazos Rotos” de PedroAlmodóvar.
Premiação a Melhor Trilha Banda Sonora nos European Film Awards 2009 pelo filme “Los Abrazos Rotos” de Pedro Almodóvar.
Indicação em 2009 ao Prêmio Goya da Academia pela Trilha Sonora de "CHE El Argentino" de Steven Soderbergh.
Indicação em 2008 ao OSCAR de Hollywood a melhor trilha sonora pelo filme “The Kite Runner” de Marc Foster.
Indicação em 2008 aos Golden Globe Awards (Hollywood Foreign Press Association) a melhor trilhasonora original pelo filme “The Kite Runner” de Marc Foster.
Indicação em 2008 ao BAFTA (British Academy of Films and Televisión Arts) a melhor trilha sonora pelo filme “The Kite Runner” de Marc Foster.
Indicação em 2008 de melhor compositor nos World Sountrack Awards pela Trilha Sonora de “The Kite Runner” de Marc Foster.
Prêmio Satellite Award em 2007 concedido pela International Press Academy a melhor trilha sonora pelo  filme “The Kite Runner” de Marc Foster.
Ministério de Cultura. Prêmio Nacional de Cinematografía 2007.
Prêmio Goya em 2006 a melhor Trilha Sonora Original pelo filme “Volver” de Pedro Almodóvar.
Premiação como melhor compositor nos European Film Awards 2006 pelo filme “Volver” de Pedro Almodóvar.
Prêmios nos World Soundtrack Awards 2006 ao melhor compositor do ano e melhor trilha sonora do ano, por sua obra para o filme “O Jardineiro Fiel” de Fernando Meirelles.
Indicação em 2005 ao OSCAR de Hollywood a melhor trilha sonora pelo filme “O Jardineiro Fiel” de Fernando Meirelles.
Premiação em 2005 ao BAFTA (British Academy of Films and Televisión Arts) a melhor trilha sonora pelo filme“O jardineiro fiel” de Fernando Meirelles.
Indicação em 2005 nos Satellite Awards que concede a International Press Academy a melhor trilha sonora       pelo filme“O Jardineiro Fiel” de Fernando Meirelles.
O Prêmio de Música da França em 2005 no Festival de Cannes pela Radio France pelo filme “O Jardineiro Fiel” de Fernando Meirelles.
Indicação em 2004 ao melhor compositor nos World Sountrack Awards pela trilha Sonora de “La Mala Educación”.
Indicação como melhor compositor ao European Film Awards 2004 pelos filmes “Te doy mis ojos” de Icíar Bollaín e “La Mala Educación” de Pedro Almodóvar.
O prêmio Sant Jordi da Crítica de RNE (2004) por sua carreira profissional.

O Prêmio Nino Rota no Festival de Cinema de Veneza 2002 a  melhor trilha sonora pelo filme “The Dancer Upstairs” (“Pasos de Baile”) de John Malkovich.

PRÊMIOS GOYA: “Prêmios Anuais da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha”:
2011 "La Piel Que Habito" (Pedro Almodóvar)
2010 "También La Lluvia" (Icíar Bollaín)
2009 “Los Abrazos Rotos” (Pedro Almodóvar)
2006 “Volver” (Pedro Almodóvar)
2002 “Hable con Ella” (Pedro Almodóvar)
2001 “Lucía y el Sexo” (Julio Médem)
1999 “Todo Sobre Mi Madre” (Pedro Almodóvar)
1998 “Los Amantes del Círculo Polar” (Julio Médem)
1997 “Tierra” (Julio Médem)
1993 “La Ardilla Roja” (Julio Médem)


domingo, 27 de janeiro de 2013

Alberto Iglesias (Filmografia)



Filmografia:
TINKER, TAILOR, SOLDIER, SPY (2011) Thomas Alfredson
LA PIEL QUE HABITO (2011) Pedro Almodóvar
LE MOINE (2011) Domink Moll
TAMBIÉN LA LLUVIA (2010) Icíar Bollaín
LOS ABRAZOS ROTOS (2009) Pedro Almodóvar
CHE El Argentino (2008) Steven Soderbergh
CHE Guerrilla (2008) Steven Soderbergh
THE KITE RUNNER (2007) Marc Foster
VOLVER (2006) Pedro Almodóvar
EL JARDINERO FIEL (2005) Fernando Meirelles
LA MALA EDUCACIÓN (2004) Pedro Almodóvar
TE DOY MIS OJOS (2003) Icíar Bollaín
COMANDANTE (2003) Oliver Stone
HABLE CON ELLA (2002) Pedro Almodóvar
PASOS DE BAILE (2002) John Malkovich
LUCÍA Y EL SEXO (2001) Julio Médem
TODO SOBRE MI MADRE (1999) Pedro Almodóvar
LOS AMANTES DEL CÍRCULO POLAR (1998) Julio Médem
LA CAMARERA DEL TITANIC (1997) Bigas Luna
CARNE TRÉMULA (1997) Pedro Almodóvar
PASAJES (1996) Daniel Calparsoro
TIERRA (1996) Julio Médem
LA FLOR DE MI SECRETO (1995) Pedro Almodóvar
UNA CASA EN LAS AFUERAS (1995) Pedro Costa
DISPARA (1993) Carlos Saura
LA ARDILLA ROJA (1993) Julio Médem
LA VIDA LÁCTEA (1992) Juan Estelrich Jr.
VACAS (1991) Julio Médem
LLUVIA DE OTOÑO (1988) José Ángel Rebolledo
MARTÍN (1988) Julio Médem
LAS SEIS EN PUNTA (1987) Julio Médem
EL SUEÑO DE TÁNGER (1986) Ricardo Franco
ADIOS PEQUEÑA (1986) Imanol Uribe
LA PLAYA DE LOS PERROS (1986) J. Fonseca e Costa
INICIATIVA PRIVADA (1986) Antonio A. Farré
MEMORIA UNIVERSAL (1986) José Luis Iglesias
LUCES DE BOHEMIA (1985) Miguel Ángel Díaz
FUEGO ETERNO (1985) José Ángel Rebolledo
LA MUERTE DE MIKEL (1984) Imanol Uribe
LA CONQUISTA DE ALBANIA (1984) Alfonso Ungría
IKUSMENA (1980) Montxo Armendáriz
PAISAJE (1980) Montxo Armendáriz

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Notícia requentada

A notícia é mesmo requentada. Ano passado divulguei aqui no blog a notícia sobre a linda homenagem promovida por Hollywood ao cineasta Pedro Almodóvar. No entanto, não postei os detalhes do evento, os encontrei no site do Jornal A Cidade e um outro espanhol, intitulado La Voz Libre, de onde encontrei essas imagens. Quem não conferiu, vale à pena conferir agora o texto abaixo:

Almodóvar recebe o abraço carinhoso de Jean-Paul Gaultier 

Almodóvar entre Rossy de Palma, Alberto Iglesias e Jean-Paul Gaultier

Cineasta-Espanhol: Pedro Almodóvar é homenageado em evento da Academia


SÃO PAULO, SP, 14 de dezembro (Folhapress) - O cineasta espanhol Pedro Almodóvar revelou na noite de ontem as primeiras imagens do seu novo filme, "Los Amantes Pasajeros" (ainda sem título em português), durante um tributo oferecido em Londres pela Academia de Hollywood.
Almodóvar escolheu a íntima e emocionante homenagem para divulgar o trailer do seu aguardado filme, uma comédia que se passa durante um voo em que estão os personagens de Javier Cámara, Cecilia Roth, Antonio Banderas e Penélope Cruz e que estreará em março na Espanha.
As imagens, em que três comissários de bordo fazem um "playback" da canção do grupo The Pointer Sisters "I'm So Exited", título da produção em inglês, foram o desfecho da homenagem.
O diretor e roteirista espanhol responsável por "Volver", "Tudo Sobre Minha Mãe" e "Fale com Ela" esteve acompanhado por familiares e amigos, entre eles seu irmão Agustín, o músico Alberto Iglesias e os atores Leonor Watling, Rossy de Palma e Javier Cámara.
Também não faltaram depoimentos, como os da atriz britânica Kristin Scott Thomas e do diretor americano Quentin Tarantino, que através de um vídeo assegurou que Almodóvar é o diretor contemporâneo "que mais admira".
Quer se casar comigo?
O estilista francês Jean-Paul Gaultier, que trabalhou com o cineasta espanhol em três filmes, assegurou durante seu discurso que "se trata do melhor embaixador da Espanha" e o pediu em casamento diante de todos os presentes.
"Em meu país ainda não é possível, mas no seu é, e eu gostaria de perguntar-lhe uma coisa: Quer casar comigo? Amo você", disse Gaultier entre as gargalhadas e os aplausos do público.
Almodóvar, que pôs o público de pé, quis agradecer do "fundo do coração" as demonstrações de afeto e admiração que recebeu durante a noite.
"Estou cercado por familiares e amigos, e são eles que merecem essa homenagem, porque graças a eles faço o que faço", assegurou o diretor de 63 anos.
A homenagem quis, segundo palavras da Academia de Hollywood, reconhecer "a revolucionária contribuição" do diretor à sétima arte, e para isso fez um percurso por algumas das mais célebres cenas de seus 19 filmes.
A relação de Almodóvar com a Academia de Hollywood é intensa, já que ganhou duas vezes o Oscar, uma pelo roteiro de "Fale com Ela" (2006) e outro na categoria de melhor filme em língua estrangeira por "Tudo Sobre Minha Mãe" (1999).
Além disso, foi indicado em outras duas ocasiões: como melhor diretor por "Fale com Ela" e como melhor filme estrangeiro por "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Vídeos do fim das filmagens do novo filme de Almodóvar

Almodóvar parece vir com tudo agora, mas o gênero será a comédia. "Los Amantes Pasajeros" (2013) estreará no Brasil em 13 de setembro.

Sinopse do filme, de acordo com o site Adoro Cinema: "O filme conta a história de um grupo de tripulantes e passageiros de um voo para a Cidade do México que está enfrentando uma forte turbulência. Eles começam a se desesperar e, diante do medo de morrer, passam a compartilhar lembranças boas e ruins sobre suas vidas. Segundo Almodóvar, o longa é uma "comédia leve ... muito leve". O elenco conta ainda com diversos atores queridinhos do diretor, como Penélope Cruz, Antonio Banderas, Paz Vega e Lola Dueñas". 




Título em inglês de "Los Amantes Pasajeros"



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Almodóvar 2013









Montagem para o Natal postada no Facebook




Fotos do próximo filme de Pedro Almodóvar Los Amantes Pasajeros (2013) cujo título em inglês será "I´m so excited".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Academia de Hollywood homenageará Almodóvar


 
 

Academia de Hollywood homenageará Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar com o ator Antonio Banderas (arquivo) Foto: Getty Images
Pedro Almodóvar com o ator Antonio Banderas (arquivo)
Foto: Getty Images
Christopher Frayling e incluirá uma palestra na qual discursarão o próprio Almodóvar e seu irmão e produtor, Agustín. Também participarão o diretor Stephen Frears, o estilista Jean-Paul Gaultier, o compositor Alberto Iglesias e os roteiristas Peter Morgan e Sally Potter.
Durante o simpósio serão exibidos trechos de vários filmes do diretor para ilustrar a amplitude de suas explorações artísticas, sustenta a Academia, assim como seu "apaixonado" compromisso com o coração humano e uma visão do mundo articulada através de poderosas atrizes.
Seu último filme, A Pele que Habito, voltou a situar Almodóvar no pódio dos cineastas estrangeiros em Hollywood com sua sétima indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro - prêmio que levou duas vezes.
O espanhol, além disso, ganhou dois Oscar, pelo roteiro de Fale com Ela e de Melhor Filme Estrangeiro comTudo Sobre Minha Mãe.
O novo filme de Almodóvar, Os Amantes Passageiros, estreará na Espanha no dia 8 de março. O elenco do filme inclui Javier Câmara, Cecilia Roth, Hugo Silva, Antonio Banderas e Penélope Cruz.
Fonte: Cinema Terra

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"Un año de amor"



Em de Salto Alto (1991), Pedro Almodóvar dirige um quase irreconhecível Miguel Bosé. No filme, o ator e cantor espanhol interpreta dois personagens, um que de dia é um juiz e à noite é transformista (Femme Letal). O vídeoclipe e a música "Un año de amor" fazem parte da trilha sonora deste filme. Canção que embala o drama de Becky del Páramo (Marisa Paredes).

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O que você quer saber sobre "Pepi, Luci, Bom"...





Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón (1980) é o primeiro longa comercial de Pedro Almodóvar. Nesse período ainda trabalhava na Telefónica e contava com a cooperação dos atores, principalmente de Carmen Maura, com quem dividia o palco do teatro onde participavam do grupo "Los Goliardos". Pepi, Luci, Bom foi gravado em 16 mm. Foi fruto do roteiro baseado em uma fotonovela chamada "Erecciones Generales".  O post que mais detalhes traz sobre este filme, foi escrito por meu amigo, Rodrigo. Do blog Cinema Rodrigo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Almodóvar traz comédia para 2013


Pedro Almodóvar usa o Facebook para falar de seu novo filmeLos Amantes Pasajeros entra em cartaz em março de 2013

Bossuet Alvim - Portal Uai
Publicação: 04/10/2012 19:25 Atualização: 04/10/2012 17:59
Personagens do filme estão presos dentro de um avião. Foto: Warner/ Divulgação
Personagens do filme estão presos dentro de um avião. Foto: Warner/ Divulgação
 
A comédia Los amantes pasajeros, 19º filme de Pedro Almodóvar, chega aos cinemas da Europa em 8 de março do ano que vem, de acordo com a distribuidora Warner Bros. No longa, o diretor confina elenco formado por grandes estrelas da TV espanhola em um avião onde se passa a maior parte da trama. Em algum momento do percurso, os passageiros precisarão enfrentar as diferenças e trabalhar em equipe para um pouso forçado da aeronave. A imersão em uma situação pitoresca, segundo Almodóvar, serve para afastar-se das obrigações de suas últimas produções com o imediatismo dos problemas cotidianos. 

"Preferi deixar de lado a realidade", afirmou o diretor em nota publicada no Facebook, destacando que o modo de condução das narrativas televisivas se encaixaram ao projeto da mesma forma que o elenco. "Não tive nenhuma referência cinematográfica durante a gestação, estão mais presentes o teatro, a televisão e minha claustrofobia do que o cinema", complementa. "Sou do tipo de diretores que se influenciam pela televisão, mesmo sem assisti-la. Me horroriza e me fascina a nova narração televisiva", justifica.

Almodóvar explica ainda que a observação do comportamento humano através das situações de confinamento é fonte de inspiração no novo trabalho. "Já foram feitos várias filmes sobre um grupo aprisionado, que não pode sair de onde está", lembra o espanhol ao citar obras como Buried (2010) de Rodrigo Cortés e El ángel exterminador (1962), de Luis Buñuel.

"O objetivo de meus passageiros é lutar contra a angústia, contra seus medos e seus fantasmas sem ajuda da tecnologia, sem imagens que os entrentenham, lhes informem ou anestesiem", complementa o diretor sobre os empecilhos. E acrescenta a dimensão do obstáculo a que pretende submeter os personagens em Los amantes pasajeros: "sem iPhones, sem filmes, internet, iPads... condenados a ser eles mesmos, rodeados de desconhecidos".



domingo, 14 de outubro de 2012

Melhores cenas de Laberinto de Pasiones



É um dos filmes mais curiosos de Pedro Almodóvar. Onde a função da história era a de chocar o sistema, era uma época do fim do franquismo. O desbunde e o ambiente underground são a tônica do filme. Como curiosidades à parte, há um Antonio Banderas ainda bem novinho, na flor da idade, quase um anônimo e uma Cecília Roth ainda desconhecida. Fanny McNamara trabalhou chapado todo o tempo das filmagens, o que dava um certo trabalho a Almodóvar ao enquadrá-lo na cena (ele é aquele personagem que aparece vestido de punk na cena da furadeira). Há cenas de homossexualismo, incesto, uso de drogas e tudo o mais. A Movida Madrilenha era a fonte inspiradora.

Parte 1



Participação especial do próprio Pedro Almodóvar.

Parte 2



Parte 3



Parte 4

domingo, 2 de setembro de 2012

Leitura da semana que passou

Hoje pretendia escrever alguma coisa sobre a atriz espanhola Chus Lampreave, mas não deu exatamente para escrever algo que me vinha à mente e/ou baseado em leituras, porque perdi um livro fundamental à minha informação: "Conversas com Almodóvar". E só me dei conta que o havia perdido no fim da tarde, saí com ele para ficar na sala de espera da clínica enquanto não era atendida, dali fui para outro lugar, devo ter esquecido num canto. Quase choro, pois estava na metade. Droga! Mas enfim, fiquei fascinada com o carinho de Pedro Almodóvar com essa atriz, lembro que na página 60 ele expressa sobre o que é trabalhar com ela. Na verdade, indico este livro a todos os interessados e fãs da obra do cineasta espanhol, Pedro Almodóvar. Achei aqui a página da Revista Isto é, muito interessante:

Rerato de Almodóvar

Manias, brigas e caprichos - nada fica de fora do livro de entrevistas com o cineasta espanhol

IVAN CLAUDIO
i53400.jpgO cineasta espanhol Pedro Almodóvar é um homem, no mínimo, excêntrico, angustiado e dono de diversas manias. Arrisca- se esse palpite ao se ler Conversas com Almodóvar (Jorge Zahar Editor, 312 páginas, R$ 44,90), famoso livro do crítico de cinema francês Frédéric Strauss que reúne entrevistas feitas ao longo de 13 anos com o diretor de Tudo sobre a minha mãe e Carne trêmula. Ao comentar o uso freqüente de quadros e quadrados no filme Kika, por exemplo, Almodóvar diz que tal escolha se deve à sua mania por simetria: "As coisas assimétricas me irritam. É por isso que, quando compro qualquer coisa, é sempre aos pares." A afirmação surpreende partindo de um cineasta que fez fama justamente pelos enredos mais caóticos e descabelados. E, como Almodóvar consegue surpreender a cada resposta, esse é um daqueles livros que não se largam com facilidade. É um retrato do entrevistado.
Ao explicar o colorido extravagante de seus cenários, ele desmonta a teoria fácil de que essa seria uma característica da cultura espanhola, barroca em sua essência: "A vitalidade das minhas cores é uma forma de lutar contra a austeridade das minhas origens. Minha mãe se vestiu de negro durante quase toda a sua vida." Nascido na região de La Mancha, Almodóvar decidiu fazer filmes quando foi morar em Madri, na década de 70, época em que trabalhava na área administrativa da companhia telefônica. O ditador Francisco Franco havia morrido. Eram anos de liberação e ele tornou-se um dos protagonistas da chamada Movida Madrilenha, movimento de renovação das artes que revelou uma geração anárquica de artistas. Almodóvar rodava filmes no formato amador super 8 e, como não gravava o som, dublava ao vivo todos os personagens. Um verdadeiro happening. Ao passar para as produções mais profissionais, descobriu o ator Antonio Banderas, que alçou ao estrelato em filmes como Matador, A lei do desejo e Áta-me: "Antonio acabara de chegar de Málaga e fazia figuração numa peça de teatro. Vi-o, fiz um teste com ele e compreendi imediatamente que iria se tornar um astro de cinema."
Diretor diz que se sente possuído pelos papéis e gostaria de interpretar todos eles
Nesse período, Almodóvar teve sucessivos encontros com o artista plástico americano Andy Warhol em festas da efervescente noite madrilenha. "Eu sempre era anunciado como o Warhol espanhol. Depois da quinta ou sexta vez, ele acabou por me perguntar por quê. Eu lhe disse que era, sem dúvida, por haver muitos travestis em meus filmes", conta, bem-humorado. Além das "chicas de Almodóvar", como eram chamadas as engraçadas atrizes Carmen Maura e Rossy de Palma, alguns transexuais ficaram famosos nos primeiros trabalhos do espanhol. Mais recentemente, ao retomar esses personagens, ele teve uma grande dor de cabeça, como revela a Frédéric Strauss no capítulo sobre o filme Má educação. É que o ator mexicano Gael García Bernal, o protagonista da história, não conseguia vestir-se de mulher para encarnar o personagem Sahara. "Bastava ele ver um sapato de salto para entrar num estado de bloqueio total", diz Almodóvar. As filmagens foram paralisadas e só continuaram depois de o ator passar por sessões de psicanálise.
Além de detalhar o processo de criação de todos os seus longa-metragens, em suas entrevistas Almodóvar avança no terreno pessoal e, às vezes, comporta- se como se estivesse também em um divã. Sempre visto como um grande diretor de mulheres, ele atribui a sua intimidade com as personagens femininas ao fato de ter passado a infância escutando histórias contadas por sua mãe e pelas vizinhas interioranas. "Foi nessa época que ouvi casos de fantasmas, de mortos que assombram os vivos. Isso foi para mim a própria origem da ficção." No seu caso, a ficção mostra- se tão imaginativa que conquistou até o mestre americano Billy Wilder, de O crepúsculo dos deuses, uma de suas grandes influências. Depois de assistir à comédia Mulheres à beira de um ataque de nervos, Wilder fez propaganda na Academia de Hollywood para que os votantes escolhessem o longa para o Oscar de melhor filme em língua estrangeira, o que não aconteceu. E o aconselhou: "Jamais caia na tentação de fazer um filme em Hollywood." Almodóvar seguiu o conselho e vai muito bem, obrigado. Em relação ao Oscar, ele só o ganharia em 2003, com o filme Fale com ela. Mas como melhor diretor.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Frase do dia


Disse o cineasta espanhol, Pedro Almodóvar: "A princesa da Espanha é Pénelope. Muito mais que as filhas do rei".



Foto completa:



domingo, 26 de agosto de 2012

Almodóvar seleciona figurantes para o seu próximo filme



Pedro Almodóvar necessita de 150 figurantes para rodar una cena no Aeroporto de Ciudad Real 


O prazo foi encerrado ontem. De acordo com fontes, umas 300 pessoas da província de Ciudad Real solicitaram à empresa Vanity, encarregada de fazer a seleção de extras, participar na figuração do filme Los amantes pasajeros de Pedro Almodóvar . Lola Sopeña, diretora de 'casting' da Vanity, comentou que o interesse foi "muito alto". A empresa levou semanas selecionando fotografias e currículos para as filmagens que serão no Aeropuerto Central Ciudad Real na primeira semana de setembro.
Finalizará a seleção a produtora El Deseo pois necessita de mais ou menos 150 figurantes para que façam os passageiros. O perfil que a produtora El Deseo exigia era "muito aberto" com idades entre18 e 65 anos e multirracial.
Pedro Almodóvar busca dar o maior realismo possível ao conjunto de um avião carregado de passageiros de um voo intercontinental que acaba com problemas e aterrizando em um aeroporto fechado ao espaço aéreo, como é o caso do del Aeropuerto Central Ciudad Real. Logo no primeiro dia de filmagem  se necessitará algo em torno de sessenta ou setenta figurantes, enquanto os outros três dias participarão os demais.

Fonte: Diario Vasco

domingo, 12 de agosto de 2012

Chavela Vargas

Isabel Vargas Lizano, conhecida pelo nome artístico de Chavela Vargas, nasceu na Costa Rica (San Joaquín de Flores) no dia 17 de abril de 1919. Se mudou para o México aos 15 anos e só aos 32 começou sua carreira, antes já havia sido cozinheira, motorista, costureira e vendedora de roupa. Sua música teve grande evidência nos anos 1950. Conhecida por sua maneira chorosa e intensa de cantar, encantou o mundo com sua voz incomparável. Foi amiga da pintora Frida Kahlo. Após uma carreira bem sucedida no gênero, e a posterior decadência obtida pelo consumo excessivo de alcool, foi redescoberta em 1992 pelo cineasta Pedro Almodóvar, que resgatou seu talento quando tinha quase 80 anos, apresentando-a em seus filmes. Publicou sua autobiografia em 2002 no livro intitulado "Y si quieres saber de mi pasado". Deixou mais de 80 músicas da tradicional canção ranchera mexicana. Faleceu domingo passado no México. Segundo informações, Chavela Vargas chegou ao México a 26 de julho, depois de quase um mês na Espanha, para onde viajou para dar um recital com temas do disco que dedicou ao poeta Federico García Lorca, intitulado "La luna grande", mas o esforço agravou seu frágil estado de saúde, vindo a falecer em 5 de agosto de 2012 em Tepoztlán, lugar onde morava e no qual se inspirou para compor a canção Maria Tepozteca, vitimada por uma infecção pulmonar e parada respiratória.

O médico que cuidou dela, Dr. José Manuel Nuñez informou que Chavela morreu "serena e tranquila", e disse ainda: "Ela estava muito consciente até o último momento, expressou seu amor pelo México e disse que leva as melhores lembranças e os aplausos de seu público". 


Alguém postou na conta de Chavela Vargas os seguintes dizeres: "Silêncio, silêncio: a partir de hoje, as amarguras voltarão a ser amargas... morreu a grande senhora Chavela Vargas". Outro a seguir: "Aqui termina a minha história que começou do nada, dá-me a mão, #Llorona, que venho muito abalada"

selinho de Chavela e Almodóvar
Chavela Vargas deixou o mundo aos 93 anos às 12h55. Um de seus maiores fãs era o cineasta Pedro Almodóvar, que muito comovido com seu falecimento, publicou em seu perfil no Facebook uma carta aberta a cantora que pode ser lida aqui em ELPERIODICO.COM. Ele referia-se a ela como o "vulcão" e ele dizia que ela referia-se a ele como "meu marido".


Confira aqui, a discografia e filmografia de Chavela:

Discografia:
Piensa en mí, 1991
Boleros, 1991
Sentimiento de México (vol. 1), 1995
De México y del mundo, 1995
Le canta a México, 1995
Volver, volver, 1996
Dos, 1996
Grandes Momentos, 1996
Macorina, 1996
Colección de Oro, 1999
Con la rondalla del amor de Saltillo, 2000
Para perder la cabeza, 2000
Las 15 grandes de Chavela Vargas, 2000
Grandes éxitos, 2002
Para toda la vida, 2002
Discografía básica, 2002
Antología, 2004
Somos, 2004
En Carnegie Hall, 2004
La Llorona, 2004
Cupaima, 2007

Filmografia:
Babel , (2006), de Alejandro Gonzáles Iñárritu;
Frida, (2002) de Julie Taymor , interpretou a canção La Llorona;
Kika(1993), La flor de mi secreto(1995) e Carne Trêmula (1997) de Pedro Almodóvar;
Cerro Torre (1991), de Werner Herzog;
La Soldadera , (1967).

A ilustre participação de Chavela Vargas no filme Frida (2002)



Página oficial de Chavela Vargas:
http://www.chavelavargasoficial.com

domingo, 15 de janeiro de 2012

Angelina Jolie surpreende Almodóvar ao pedir papel em filme dele

Los Angeles (EUA), 14 jan (EFE).- A atriz Angelina Jolie conseguiu arrancar neste domingo do cineasta espanhol Pedro Almodóvar a promessa de que fará parte de algum de seus projetos em um evento que reuniu em Los Angeles os diretores das produções candidatas ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.
A atriz, mulher de Brad Pitt, interrompeu uma entrevista que o diretor espanhol estava concedendo na entrada do Teatro Egípcio de Hollywood, para pedir a ele um papel diante do olhares surpresos dos jornalistas.
"Quando você vai me dar um trabalho?", questionou Jolie ao diretor de "Fale com ela" (2002).
"Não se preocupe, você é jovem", respondeu ele, surpreso com a situação.
"Mas me prometa que algum dia isso vai acontecer?", insistiu a atriz americana.
"Claro. É um compromisso diante das câmeras", afirmou Almodóvar que a lembrou de que os dois se conheceram em Los Angeles quando ela acabava de protagonizar "Garota, Interrompida" (1999) e ele havia acabado de estrear "Tudo sobre minha mãe" (1999).
Ambos ganharam o Oscar com essas produções, ela de melhor atriz coadjuvante e ele na categoria de melhor filme estrangeiro.
"Adoro Angelina", disse Almodóvar, que antecipou que tem em mãos um projeto ambientado em Nova York que poderá ser gravado nos Estados Unidos e em inglês se conseguir "o roteiro adequado"."Acho que a Angelina se encaixa perfeitamente porque é uma menina que se arrisca. Ela ficaria bem em muitos papéis femininos que escrevi", analisou o cineasta que imaginou a atriz como a Carmen Maura dos EUA, a musa de Almodóvar. EFE.

Fonte: Yahoo Notícias

sábado, 23 de abril de 2011

O retorno de Almodóvar

Almodóvar decide voltar à Academia de Cinema espanhola 
(AFP) – 8 de Abr de 2011 

MADRI — Depois de anos de discórdia, Pedro Almodóvar retornou à Academia de Cinema espanhola, que atribui os prêmios Goya, equivalente ao Oscar, indicou a produtora do cineasta nesta sexta-feira. Pedro Almodóvar, o cineasta espanhol mais famoso no exterior, mas quase nunca reconhecido por seus colegas compatriotas, retirou-se em 2005 da Academia de Cinema, em meio de muita polêmica, junto com seu irmão, o produtor Agustín Almodóvar. Agustín Almodóvar havia dito que "não nos sentimos queridos" nessa instituição. Os irmãos Almodóvar não estavam de acordo com o sistema que rege a votação para a atribuição dos Goya. Um porta-voz da produtora El Deseo informou que ambos retornarão à academia, mas sem dar mais detalhes sobre a decisão, que ocorre alguns dias antes da eleição do novo diretor da instituição. Os irmãos Almodóvar tinham abandonado a entidade depois da cerimônia do Goya 2004, que premiou com 14 troféus o filme de Alejandro Amenábar, "Mar Adentro", enquanto que a então última obra de Almodóvar, "Má Educação", não recebeu nenhum dos quatro Goya para os quais estava indicada. As relações entre Almodóvar e a Academia dos Goyas estavam tensas desde 1990, quando seu filme "Ata-me", nomeado 15 vezes, não recebeu nenhuma estatueta. Em 1999, "Tudo Sobre Minha Mãe" recebeu, no entanto, sete prêmios da academia espanhola.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Tudo sobre minha mãe", Pedro Almodóvar

Esse maravilhoso e inteligente texto foi escrito pelo meu amigo blogueiro, Renato Hemesath do blog Cine Freud. Cine Freud é um blog especializado também em filmes,  mas que faz análises das personagens e das vivências das mesmas nas abordagens cinematográficas. Trata-se de um conteúdo original e consciente, claro, com bases psicanalíticas e de linguagem direta.

É com carinho que deixo aqui:


TUDO SOBRE LINGUAGEM


Falar sobre bebês e suas mães é caso antigo na psicanálise. Não é de hoje que se comenta a célebre frase “antes de amar o seio, o bebê acredita ser este seio”. Popularmente, fala-se também que “mãe é tudo igual, apenas muda-se o endereço”. Os clichês são inesgotáveis, mas façamos um bom uso disso. A temática da família tem se apresentado como um motivo desencadeador de muitos questionamentos. Quem nunca escutou “tudo começa em casa”? Pois bem, a família como um todo é digna de análise, contudo, é sobre uma mãe que pretendo abordar hoje. Uma mãe que não possuia apenas um endereço distinto dos nossos, mas que tinha uma localização específica para o seu desejo.

O filme “Tudo sobre minha mãe” | Todo sobre mi madre – 1999 | nos apresenta o cotidiano de Manuela | Cecilia Roth | e seu filho Esteban | Eloy Azorín |. Em meio a cores de tons fortes, o diretor Pedro Almodóvar retrata alguns momentos valiosos desta pequena família. Façamos linguagem sobre esta mãe: Manuela era enfermeira, tinha um único filho e cozinhava muitíssimo bem. Outras informações sobre ela poderiam ser encontradas no caderno de anotações de Esteban, no qual novas notificações iam sendo inclusas diariamente afim de responder a seguinte indagação: quem é esta mãe? Trata-se aqui de um filho que elaborava uma linguagem enquanto tentativa de pôr em palavras e organizar uma fala autêntica sobre sua mãe. Contudo, algo lhe escapava. Logo nas primeiras falas do filme, observamos que para Esteban havia uma falta em questão: faltava-lhe uma representação da figura paterna. De qual pai me refiro? Não trata-se do pai real enquanto sua presença física e nem sequer do pai imaginário, mas de um pai simbólico, aquele que é a localização do desejo materno, pois Esteban somente sabia que seu pai havia falecido antes mesmo de seu nascimento.

Conforme havíamos acordado, hoje falaremos de mãe e não de pai, porém é preciso fazer uma observação. Esteban pedia a Manuela que lhe contasse sobre a história de seu pai, e ela recusava-lhe apresentar um discurso a respeito dele. Vejam, na dificuldade em elaborar este pai simbólico, Esteban não era capaz de estruturar uma redação que falasse TUDO SOBRE SUA MÃE, era preciso haver um terceiro. Afinal, não saber sobre o pai era não saber sobre a localização do DESEJO DA MÃE que deveria incidir sobre algo externo que não fosse o próprio filho.
No aniversário de Esteban, ele e sua mãe foram assistir a peça de teatro Um bonde chamado desejo estrelada pelas atrizes Huma Rojo | Marisa Paredes | e Nina | Candela Peña |. Esta história tinha um valor muito significativo para Manuela, pois há 20 anos atrás ela havia participado de uma apresentação amadora do mesmo roteiro. Logo, mãe e filho compartilhavam de um mesmo laço. No término da apresentação, Esteban convenceu sua mãe a aguardar a saída das atrizes afim de conseguir um autógrafo de Huma. Ambos aguardavam debaixo de chuva até que Huma e Nina saíram em direção a um táxi, provocando uma grande ansiedade em Esteban. Foi necessário correr em direção aquele carro afim de conseguir o tão sonhado autógrafo. Havia um sonho em questão que findou-se naquele mesmo dia. Ao perseguir aquele táxi, Esteban foi atropelado em um cruzamento e tendo como testemunha do fato, única e exclusivamente, sua mãe.
 
A morte de Esteban desencadeou não somente uma intensa sensação de vazio e perda, como também transformações na dimensão da linguagem. Se buscarmos compreender do modo mais objetivo possível, entenderíamos que na ausência de um filho uma mulher é uma mulher, e não mãe. Esta compreensão é tida a partir do significado de mãe segundo o dicionário que considera enquanto mãe uma s. f. mulher, que tem um ou mais filhos. Todavia, esta descrição é insuficiente por duas razões: é preciso considerar a condição subjetiva do sujeito, e o significante mãe (assim como qualquer significante) não possui um significado próprio, logo, é esvaziado e pode ter diferentes significações. Como? Um homem, irmão, tio, avô podem ser “mães” no que diz respeito a função de exercer a maternagem. Sendo assim, mesmo após a morte de Esteban, Manuela ainda se considerava mãe, ela reconhecia a perda real do filho, mas ainda se apresentava enquanto sua mãe. Contudo, algo a angustiava. A perda? Não somente, a angústia de Manuela provinha da ordem do Real, segundo Lacan, na qual ela não conseguia converter em palavras a angústia decorrente da morte do filho, ela foi invadida por este Real.
 
Após estes acontecimentos Manuela decidiu ir ao encontro do pai de Esteban. Durante o percurso ela recordava-se de um fato curioso: 18 anos antes ela havia saído de Barcelona em direção a Madri, nesta situação ela fugiu do pai do menino com este nos braços, agora, ela retornaria a Barcelona ao encontro do pai real, e sem o menino.


Com a morte do filho, parece-nos que Manuela também perdeu o seu papel, como se houvesse um estranhamento quanto a sua identidade de mulher. Contudo, não vamos nos contentar exclusivamente com isto. Tratando-se dos aspectos inconscientes, é de outra perda que o filme se refere: a perda pela representação. Enquanto mãe, Manuela era capaz de ter uma identificação própria, mas, na ausência desta função, ela foi invadida por uma angústia que afirmava a inexistência de um significante que representasse a mulher. Apenas enquanto mulher, sua representação era o vazio e o mudo. Manuela afirmava: nós mulheres fazemos de tudo para não ficarmos sozinhas. O estar só não diz respeito a ausência de um outro enquanto semelhante, mas de um significante que represente a condição de ser mulher.
Vamos recapitular? TODO SOBRE MI MADRE: 1. mãe; 2. cozinheira; 3. atriz; 4. enfermeira; 5. assistente. Vejam, destacamos cinco significantes para dar conta de representar esta mulher. De modo semelhante, era isto que Esteban fazia por meio das anotações em seu caderno, contudo, algo novamente escapava. Não era possível compreender o TODO SOBRE ELA, pois não há este todo, o todo não existe porque há falta, e somente mediante esta é que é possível existir um sujeito desejante. A falta e a incompletude são próprias do indivíduo e a linguagem não consegue expressar uma completude, que por sua vez é inexistente. Deste modo, constatamos que realmente não foi possível conhecer tudo sobre esta madre, porém, conhecemos uma mulher forte que relacionava-se ativamente sobre o seu desejo, e que diante da perda e da ausência de uma significação foi atrás de verdades de sua vida buscando explorar um passado que impactaria o rumo daqueles próximos anos.

Renato Hemesath


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